16/04/2013

sobre tempo e game of thrones



Vejo muitas pessoas postando coisas sobre Game of Thrones. Vídeos, matérias sobre os atores, “winter is coming”, memes e afins. Nessas horas, me sinto quase igual aos momentos em que vou a churrascos e meus amigos se deliciam e besuntam a cara comendo maionese. Eu poderia gostar de maionese, mas nunca dou uma brecha para ela. Por isso, perco a chance de ser feliz com essa mistura gordurosa - por vontade própria. 

Com Game of Thrones rola praticamente isso. Um dia, num passado distante, eu até assisti o primeiro episódio da primeira temporada – por pressão do meu irmão. Confesso que não me prendeu muito, principalmente porque tinha muitos personagens e eu não conseguia mais lembrar quem era quem.
E agora, quando parece que o negócio virou febre e eu até tenho vontade de tentar assistir mais uma vez... ME FALTA TEMPO!

- Como é que as pessoas conseguem assistir Game of Thrones? Da onde sobra tempo pra elas e pra mim não? – eu resmungava, indignada, na agência.

- A pergunta certa é: como as pessoas conseguem assistir seriados? – disse sabiamente outro colega.

- Elas não trabalham com publicidade – respondeu um terceiro. 

Mas eu refleti sobre o assunto e vi que NÃO, isso não pode ser assim. Todo mundo tem as mesmas 24 horas em um dia. Eu, o Papa, o George Clooney e aquele cara do Shoptime. 

Então agora eu comecei a ver vídeos sobre produtividade como se não houvesse amanhã. E não é que deu tempo de vir postar no blog?

Aguardem, amigos. Vou virar mais multitarefa do que nunca!

01/04/2013

o drama do pneu furado

Estávamos voltando do trabalho, lépidas e faceiras. Se não estivesse passando Voz do Brasil, é provável que teríamos achado Lady Gaga em alguma estação e estaríamos cantando I’m a free bitch baby. Mas o rádio estava desligado e nós estávamos conversando. Então o carro deu um pulo estilo touro mecânico, nós três gritamos, alguns carros buzinaram e tudo passou bem rápido. Havíamos atropelado uma pedra gigante, ou passado dentro de um buraco igualmente gigante. O susto foi grande.


Então a D. quebrou o silêncio tenso que se seguiu, dizendo:

- Acho que o pneu furou.

Eu e M. ficamos tipo:

- Naaaah, não deve ter furado. Ou deve? Será que furou? Hmmm, naaah, capaz. Ou sim?

Ficamos nesse vai e vem por alguns metros, até que estacionamos, olhamos o pneu e se você pensou que ele estava furado, acertou. Até porque o título desse post já entrega a situação.

A questão é que nenhuma das três sabia trocar pneu. Eu até estava considerando arruinar minhas unhas cuidadosamente pintadas com verde militar para colocar a mão na massa, mas a D. foi atrás de ajuda. Foi até um posto de gasolina próximo e ouviu um “não trocamos pneu aqui não, tu vai ter que ir até o próximo posto”. Que, sei lá, devia ficar a uns 2272288282 metros de distância. Então um cara pulou de um caminhão e disse “eu troco pra vocês”. Achei incrível.

Apontei o pneu e disse pras ele:

- Olá, aqui está o problema.

E ele:

- Ahhh, o poblema.

Não estou julgando ele por causa da profissão nem nada. Várias pessoas têm muito estudo e ainda assim cometem umas gafes. Gente bem estudada troca “mim” por “eu”, então não vou polemizar muito sobre isso, ok?

Daí, sem tirar o cigarro que estava fumando da boca, o gentil caminhoneiro pegou o macaco no porta-malas, ergueu o carro, tirou o pneu furado, colocou o estepe e guardou tudo bonitinho nos lugares certos. Não sei se fiquei mais impressionada com a destreza dele nesse trabalho manual ou com o fato de ele ficar contando um monte de histórias sem deixar o maldito cigarro cair.

Eu adoraria contar que no final das contas pagamos uma rodada de cerveja para o gentil caminhoneiro e vimos fotos dos filhos dele que estavam na carteira, mas nada disso aconteceu. Na real, perguntamos quanto ele cobrava pelo serviço, ele disse para deixar assim, embarcamos no carro e fomos embora. Sem saber nome, idade, onde mora, nada.

Só que esse lance todo não deixa de deixar várias lições, pelo menos para mim.

- pessoas boas ainda existem nesse mundo, nos lugares que a gente menos imagina

- o dia em que suas unhas estão mais bonitas é propício para algo estranho – que envolva destruí-las - acontecer

- porra, eu preciso saber como se troca um pneu.

Vocês sabem?

23/03/2013

a menina com o bolo de glacê de uva

Dispôs sobre o balcão da cozinha, ordenadamente, três potinhos verdes e três potinhos cor-de-rosa. Depois, trocou a ordem deles, alternando as cores. Uma daquelas coisas dela, que os outros chamavam de chatice. Ou transtorno obsessivo compulsivo.

Pegou o caderninho de receitas e ajeitou metodicamente a quantidade certa de ingredientes em cada um dos recipientes. A farinha deixou a blusa cinza dela coberta de pontinhos brancos. Ao quebrar os dois ovos necessários, ela fez uma caretinha de satisfação. Não conseguiu evitar: colocou na língua uma pitada de açúcar e fechou os olhos para levar para o corpo inteiro a incrível sensação de doçura.

Um a um, os ingredientes foram despejados na bacia da batedeira. O barulho encheu a casa inteira, e ela cantava enquanto tudo se misturava e abraçava, formando uma linda e lisa massa homogênea. Desligou a batedeira com um sopapo no botão. Passou o dedo na massa geladinha e experimentou. Um hmmmm satisfeito foi o resultado.

Na forma untada tudo foi despejado. E quando tudo estava no forno quentinho, ela não resistiu. Sentou no chão, com as pernas cruzadas, e se divertiu lambuzando o dedo na massa que havia sobrado. Sujou os lábios e a bochecha nessa doce ação, mas nem se deu conta.

O cheiro invadiu a cozinha e foi além. Quem passava na frente daquele apartamento se sentia instantaneamente feliz e apaixonado, sem nem mesmo saber por quê. Há boatos de que aquele dia contou com o mais baixo número de acidentes e brigas registrado nos últimos 10 anos.

Enquanto o bolo esfriava na janela, ela cantava uma canção das princesas Disney e batia vigorosamente um glacê. Gotinhas de aroma e sabor transformaram a leve mistura em algo deliciosamente roxo e com gosto de uva.

Quando tudo estava pronto, ela cortou pedaços grandes, quadrados, e embalou carinhosamente cada um deles em um pedaço de pano xadrez. Amarrou com um laço de fita e, em cada pacote, colocou um recado que dizia “Que seja doce. Como sua vida”. Saiu pela cidade e largou cada pacotinho na soleira de uma casa diferente. Tocava a campainha e saía rápido, como fazia quando era criança e brincava com o irmão.

Voltou pra casa satisfeita. A magia da cozinha está nos detalhes, nos cheiros, nos sabores. Cozinhar é relaxante, é apaixonante, faz a gente de aproximar dos outros. Basta saber ver.

_________________

Esse post faz parte do Desafio Relâmpago, projeto que começou lá na minha página no Facebook. A tarefa é escrever um post com o primeiro título sugerido. Essa ideia aqui veio da querida Beatriz Roedel. Fica de olho na minha página, a qualquer momento posso lançar o desafio de novo! 

20/03/2013

por que angélica era a minha apresentadora favorita quando eu era criança



É engraçado que quando a gente é criança, dormir é uma coisa chata. Não tem nada pior do que estar brincando e escutar da mãe um “tá na hora de dormir!”.  Para que o mundo e todas as oportunidades existentes nele, todas as promessas de diversão vão embora com o clique do interruptor apagando a luz. Hoje em dia, eu agradeço quando eu finalmente estou em casa, de banho tomado, e posso deitar na minha cama cheirosa para dormir o sono dos merecedores. 

Eu costumava relutar para dormir e não tinha nenhum problema para acordar cedo. Engraçado como as coisas mudam. Mas eu curtia sair logo na cama principalmente nos finais de semana, quando ela aparecia. Cabelo loiro estilo Pantera, microfone com bichinho, pinta cabulosa na perna. Angélica.
No fundo eu sonhava em ser como ela. Aparecer na TV, cantar, conversar com bonecos, ter assistentes de palco. Era a vida que eu queria pra mim.

Mas no fundo eu gostava de todas as pessoas que apareciam na TV. Quase queria ser órfã só pra morar no orfanato e ser uma Chiquitita. Era um tempo em que eu assistia TV. 

Pensando agora... Talvez a Angélica não fosse minha apresentadora favorita, e meu coração tivesse um lugar igualmente especial para a Xuxa, a Mara Maravilha e a Vovó Mafalda. Mas eu costumava pintar uma enorme mancha marrom na perna, simulando a pinta da Angélica. Se isso não é amor, o que mais pode ser?

sou dyva e tenho essa pinta show.
 -----------------------

Esse post faz parte do Desafio Relâmpago, projeto que começou ontem lá na minha página no Facebook. A tarefa é escrever um post com o primeiro título sugerido. Essa ideia aqui veio da Carolina Louise Coelho. Fica de olho na minha página, a qualquer momento posso lançar o desafio de novo! 

19/03/2013

ai meu deus como eu amo o meu irmão


Sábado meu irmão disse que precisava comprar um tênis novo para ele usar por aí, no dia a dia. Não como o tênis terrível e amarelo que ele comprou para as corridas dele, sob a justificativa de que “cara, faz muita diferença na hora de correr”. Um tênis assim, casual.

Falei “vamos sair às 13, então”. Perto das 14h, quando eu fiquei pronta, nós fomos. É, talvez a pontualidade não seja meu forte aos finais de semana. Então entramos em mil e uma lojas e nunca tinha nada do tamanho dele. E eu acabei comprando pra mim um tênis antes dele achar algo. Sendo que eu nem costumo usar tênis.

Daí ele não achava nada e, pra espairecer, fomos num espaço novo na cidade, chamado Mil Shake Fest. Como o nome diz, é lugar para tomar milk-shake. O delicioso problema é que o cardápio conta com 500 -  é, eu escrevi 500 – sabores. Mais de um ano é necessário para provar todos, sendo que é preciso tomar um (ou mais) por dia. Quase um desafio Julie and Julia, só que mais gelado.

Escolhemos, tomamos. Depois ele achou o tênis. Daí fomos pra casa comer pastel.

Foi um sábado muito legal.  

E quarta-feira, conhecida também como AMANHÃ, eu e ele vamos no show do Naldo. É, rapaziada. Ai meu Deus, como eu amo meu irmão. Só assim pra fazer uma coisa dessas.

Depois eu conto como foi.

------------------------

Esse post faz parte do Desafio Relâmpago, projeto que começou hoje lá na minha página no Facebook. A tarefa é escrever um post com o primeiro título sugerido. Essa ideia aqui veio do Douglas Dias, obviamente meu irmão. Fica de olho na minha página, a qualquer momento posso lançar o desafio de novo! 

vida de barata

Nunca abria as janelas da casa, pois gostava era do escuro, do bafo. Da solidão. Detestava os raios de sol que tentavam entrar de fininho pela fresta da veneziana. Repudiava as risadas de crianças que vinham lá de fora. Não passavam de uma farsa, ele tinha certeza. A ilusão de que havia algum sentido para viver. Ver o céu azul ou essas crianças crescerem. Não importava, porque  não havia razão nenhuma.

Aquilo fazia ele lembrar de coisas que não queria lembrar. O dia em que ele acreditava. Ela olhava pra ele com aquele nariz cheio de sardas e dizia coisas bonitas. Pegava ele pela mão e fazia aqueles pés, que de valsa nunca tiveram nada, rodopiar. E ele se sentia tão leve que poderia flutuar até encostar no teto embolorado do ambiente pequeno, que até parecia se ampliar e encher de luz quando ela estava por perto.

Ele confiou que aquilo poderia ser realidade e que o mundo não era o poço de água parada e morta que havia sido até então. Sempre na expectativa de que algo bom aparecesse. Aquilo era, afinal, estar satisfeito?

Então, como num sonho, ela chegou sem aquele brilho no olho castanho. O mundo era devagar demais pra ela, pra cabeça dela e pras aventuras que ela queria viver. Eu estou indo embora, ela disse. Fico por aqui só mais um mês.

Lembranças, de novo elas. Ele deu uns socos na janela, com o objetivo de calar aquelas vozes insuportáveis. Ajeitou a cortina para fechar ela mais ainda. Acendeu um cigarro e chorou.

Vida miserável, escura e peçonhenta. Vida de barata.

-----------------------------

Esse post faz parte do Desafio Relâmpago, projeto que começou hoje lá na minha página no Facebook. A tarefa é escrever um post com o primeiro título sugerido. Essa ideia aqui, “Vida de Barata”, veio do Felipe Goulart, do blog O Quanto Quiser. Fica de olho na minha página, a qualquer momento posso lançar o desafio de novo! 

17/03/2013

a síndrome da gulodice noturna



Não sei se esse nome existe de verdade, mas se adapta à minha vida. Descobri que sofro de “síndrome da gulodice noturna”. Ou talvez “fome absurda depois de umas horas de trago”. Essa síndrome se manifesta depois de uma balada bem pegada, ou de uma festinha open bar, como foi o caso de ontem à noite. Eu volto pra casa depois de umas horas de entretenimento saudável (ou nem tanto) e percebo que estou com muita fome e poderia comer simplesmente qualquer coisa disponível. E às vezes eu nem tenho fome de verdade. E às vezes as coisas que eu quero comer não são exatamente fáceis. Minha mãe já acordou de manhã e encontrou panelas sujas pela cozinha. Panelas. O que quer dizer que eu cozinhei alguma coisa em alguma altura da madrugada, embora não lembre muito bem.

O que é mais frustrante é que eu vivo de dieta. A semana inteira eu controlo, como peitinho de frango, salada, aquela coisa toda. E daí no final de semana eu simplesmente cago tudo, com um pensamento embriagado de que “as coisas que eu como de madrugada não têm calorias e, portanto, não vão correr direto para os meus quadris”.

E daí toda segunda-feira eu resolvo que “agora é pra valer, vou ser magra, hora de trocar meu almoço por um shake”, enquanto tenho certeza que no próximo sábado eu vou comer nuggets e miojo com requeijão às 4 da manhã. SAD.

Ah, e não é só isso. A síndrome também envolve comer McDonalds na madrugada. E olho que assim, à luz do dia, eu nem sou muito fã da comida do palhaço Ronald. Só se a surpresa do Mc Lanche Feliz for muito bacana.

Minhas amigas curtem comer cachorro-quente de carrocinha ou churrasquinhos de tios queridos no momento existente entre sair da festa e esperar o táxi, mas eu me faço de difícil e espero com carinho o momento de abrir a geladeira e descobrir o mundo de possibilidades existente lá.

Mais alguém sofre disso ou eu estou sozinha num mundo ilusório de comidas trash em horários estranhos?